Carnaval de 2025. Nunca, jamais, em hipótese alguma o evento popular que acontece anualmente antes da Quaresma me pegou. Mas, desde que levo uma vida junto às minhas meninas, que são entusiastas da festa carnal, tenho nutrido certa simpatia pelo tema. Eis que, neste ano, estava até ansioso para colar no bloquinho tradicional no distrito de Tubarão Geraldo que reúne famílias, pets, amigos e os inevitáveis vampiros que chegam com o cair da note - horário esse que nosso time se retira de campo em busca de descanso.
Há aquele ditado que reza que tudo na vida é incerto, e assim foi com minha expectativa para o sábado. Na sexta-feira, meu sogro, uma pessoa querida e companheira, sofreu um infarto acompanhado de um edema pulmonar e outras complicações advindas da idade, tabaco e destino. Planos abortados, idas ao hospital, companhia e apoio à minha esposa e enteada deram o tom a esse melancólico feriado prolongado. E, sem muito o que fazer, me pus a pensar nas tardes intermináveis. Como deve ser difícil ter um pai ou uma mãe numa situação incerta como essa. Eu, de fora, tendo a ser mais racional. Meu velho sogro está lá, conectado a seis máquinas, respiração comprometida, rins parando de funcionar e todo esse combo de desgraças que se acoplam à uma realidade hospitalar. Pois bem, sendo frio: qual a qualidade de vida que esse senhor voltará a ter caso escape dessa? Colocando na balança, é uma pessoa que construiu uma carreira e legado admiráveis, viajou com muita frequência, sempre prezou pela boa mesa, criou 3 filhos bem sucedidos, e é reconhecido por seus valores e honestidade. Será que o certo - e o merecido - não seria finalizar por aí? Porque, pela minha lógica pessimista, o que vem daqui pra frente é só decadência e sofrimento. Ok, talvez esteja sendo mais pessimista do que o cenário reserva e, de novo, é uma visão fria e calculista de quem está de fora. Com certeza minha esposa, sua mãe e irmãos nem cogitem esse tipo de pensamento passar pela cabeça. Mas essa frieza que me acometeu me fez pensar que a sociedade não é e nunca será preparada para esse tipo de situação. A idade é cruel para a grande maioria das pessoas e penso que há um limite de tempo para sermos felizes e aproveitarmos a vida. Depois de um certo ponto é só ladeira. Talvez, abreviar nossa existência fosse um caminho a ser considerado.
Não tenho certeza de nada disso que estou dizendo. Muito menos se eu sustentaria essa visão caso fosse meu pai ou mãe na situação descrita. Mas o que me deixa perplexo é que esse tipo de debate deveria ser mais explorado, mesmo considerado errado por diversas crenças e religiões que ditam as regras na sociedade que vivemos. Regras essas, na maioria das vezes, sustentadas por uma necessidade de ensinar o que seria o certo sob uma égide de medo, acusação e sofrimento.